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terça-feira, maio 14, 2013

Quando pensamos que já ouvimos tudo

Amiga de Sempre queixa-se que o seu próprio Dito-Cujo trabalha muito.
Bem, isto não é bem verdade. Eu, trabalho muito. Marido de Amiga de Sempre vive no trabalho e de vez em quando vem a casa ver se a cara de família não passou a ser apenas uma cara familiar.
O trabalho dele é lixado e exigente. O chefe dele será, pelo menos na minha criativa imaginação, um filho da mãe solitário que quer companhia ao jantar e quanto mais tarde chegar a casa melhor. E ele próprio, um viciado nos números e nos objectivos, e essas coisas piores que álcool e drogas.
Amiga de Sempre acarta com tudo. Com os dois filhos, as reuniões da escola, as consultas do pediatra, as compras do supermercado, o seu próprio trabalho, faz toda a gestão da casa.
Amiga de Sempre não é de se queixar. Guarda lá para ela, não é de fazer alarido, muito ao género os problemas resolvem-se dentro de casa. Mas de vez em quando lá solta um desabafo.
Amiga de Sempre resolveu dar um murro na mesa. Quésedizer, não foi beeem um murro. Se tivesse que o classificar como um tipo de ofensa corporal diria que foi um calduço. Ou uma belinha. Um piparote, na melhor das hipóteses. Vá, foi mais um alerta.
Resolveu queixar-se da carga que transporta, de jantar sempre sozinha, dos longos serões com o prato dele dentro do microndas, lembrou-o de tudo o que perde na vida dos filhos de cada dia que trabalha catorze horas. Uma chamadinha de atenção bastante pertinente.
E ele que sim, que é verdade, cheio de culpas, sou péssimo e tal. Mas...
Mas, (e agora sentemo-nos para poder apreciar condignamente a melhor desculpa que ouvi na vida), mas, dizia ele, a culpa é dela.
"Tua?", perguntei-lhe incrédula. Sim. Porque é pouco exigente com ele, porque pressiona pouco, porque trata de tudo deixando que ele se demita das suas obrigações, tem um grau de exigência fraquinho fraquinho.
E eu vos digo, que com este argumento, marido de Amiga de Sempre conseguiu transformar aquilo que aos meus olhos femininos era uma espécie de super-mãe-super-mulher-super-dona-de-casa-que-ainda-por-cima-faz-crochet-e-costura-o-que-a-torna-numa-espécie-de-fada-do-lar, numa mulher que aparentemente não relembra o homem que é marido, que é pai, e que o que se passa hoje já não acontece amanhã, e quem estava viu, quem não estava só ouviu a história, e é se alguém se lembrar de a contar. Uma mulher que não faz pela família, portanto.E ela a achar, que o melhor que podia fazer pela família era aquela correria para chegar a todo lado. Está visto que Amiga de Sempre não percebe nada do assunto.
Mas tratou de começar a resolver a questão, antes que a questão a resolvesse a ela.
Amiga de Sempre aumentou o grau de exigência, ensinou-lhe o caminho para o pediatra e para o colégio, e no fundo, no fundo, fiquei com um nadinha de inveja.
Oh pá, que bom que era que Dito-Cujo meu marido chegasse agora a casa a dizer que eu aperto pouco com ele e para o mandar fazer coisas e tal. Era menina para ficar de sofá uns dias só a "pressionar" o moço. Tudo pela união familiar.




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