O maravilhoso header é cortesia da Palmier Encoberto. Quem mais?

terça-feira, maio 21, 2013

Culinária e pombos

Escrevo apenas para dizer que estou acometida de uma enorme falta de imaginação, o que a par de uma preguiça inigualável, me afasta do teclado.
No entanto, no meio deste marasmo em que se encontra a minha imaginação, venho dizer-vos duas coisas que em circunstâncias minimanente normais dariam dois longos e fastidiosos posts, e que assim darão no máximo dois tópicos.
 Fui cozinhar na escola de Migalha do Meio. Não, não fui para a cozinha da cantina fazer massada de atum para todos. Fiz apenas uma sobremesa e apenas na sala dela.
 Tenho um ninho de pombos na varanda. Este acontecimento é quase perturbador, por várias razões, a saber a principal:  odeio pombos. A nível de inteligência estão na linha das galinhas,  poisam no meio da estrada e só se piram quando o carro já lhes está a coçar as penas, sujam  tudo por onde passam, uma mistela de penas com cocó, uma nojeira.  Além disso sempre ouvi dizer que são portadores de dezenas de doenças.
Por outro lado, é perturbador porque era uma dúvida que já me atormentara algumas vezes: como se reproduz esta bicharada? Nunca tinha visto um ninho de pombos, o que numa cidade em que são aos milhares, já era motivo suficiente para empreender teorias pouco científicas. Agora tenho a resposta. Parece que fazem os ninhos em alguidares abandonados  debaixo de aparelhos de exterior de ar condicionado, em varandas pouco arrumadas.
Agora estou com um problema imenso. Quero muito livrar-me da pomba, e do ninho, e dos dois ovos brancos que lá se encontram. Quero muito agarrar no alguidar e levá-lo para bem longe, antes que se transformem em passarinhos bebés amorosos que vão defecar incessantemente no meu chão, enquanto aprendem a voar no meu parapeito. Por outro lado...que se lixe, coitados dos bichos, se tirar dali o alguidar é morte certa, e quem sou eu para interferir assim na vida das criaturas de Deus.
Ainda assim,  fica aqui um aviso à pomba: se insistires em  pregar-me cagaços, ao levantar voo em frente ao meu nariz, de cada vez que vou estender ou apanhar um par de cuecas, vou-te ao alguidar e estrelo os ovos!

segunda-feira, maio 20, 2013

Sou eu que não sei procurar?

Preciso de dois boleros cor fuschia, tamanho oito. Parece um pedido bastante simples e vulgar, não é?
Pois, mas os criadores de moda infantil da colecção Primavera-Verão 2013 parecem não concordar.
O casório é já Sábado e de repente o Colombo parece que não tem nada. A par do El Corte Inglés.

domingo, maio 19, 2013

Algumas considerações sobre o campeonato que hoje terminou

Bem, acabou o campeonato. Não contem cá com desportivismo, não vou dar os parabéns ao eeerhg...Porto.
Mas queria deixar aqui umas muito breves notas. Vá, mais concretamente duas.
 1. Alguém veja se o Sporting quer entrar na Liga Zon Sagres em vez da Liga Zon Kids na próxima época
2. Quase que vale a pena termos perdido o campeonato só para ouvir um estádio cheio a gritar "olha a cabeça do lampion" e "o Porto é campion".
Priceless.
E não me venham cá com o mau perder. É óbvio que tenho mau perder. E ainda acho que só os choninhas é que dizem que ganhar e perder é tudo desporto. Isso é o que se ensina às criancinhas, e com muita pena minha, já deixei a primeira infancia há muito e ainda não cheguei à segunda.
E não sou má de todo. Escrevi Porto com letra maíuscula. Três vezes.
Viva o Benfica!

Não desiludiu


É simpática, como eu pensava, é gira, como eu pensava.
E é alta. Um bom bocado mais do que imaginara,
Gosto da sensação se não ser defraudada.
O que é que querem... Gosto da moça.








sexta-feira, maio 17, 2013

Coisa málinda que vi hoje!

Até tinha umas coisas para vos contar, mas são um bocado para o tristonhas.
Portanto, vim aqui escrever umas três linhas sobre o momento alto do meu dia. Hoje vi o arco-íris málindo que já tinha visto. Alias, dois. Dois arcos perfeitos lado a lado. Mas o momento alto não foi encontrar estes fofinhos da natureza.
Imaginem: vão a conduzir, chove, limpa para-brisas ligado. Vão a falar em alta voz com Amiga de Sempre. Nisto, S. Pedro que nunca nos dá nada de bom, oferece-me um duplo arco-íris... Até parecia mal não o fotografar. Parecia fácil. Mas revelou-se tarefa árdua. Três disparos com o raio do limpa para-brisas ligado, em todas,  as escovas a tapar o fenómeno. Mais três sem, a chuva no vidro era tanta que mal se via. Tudo enquanto conduzia aos Ss, já se sabe que os cotovelos não são propriamente zona de grande sensibilidade.
As fotos ficaram uma merda, além do limpa para-brisas e da chuva, apanhou o carro da frente, o viaduto de peões da rotunda da Decathlon, metade do IKEA. Mas lá que eram lindos... Oh pá, lá isso eram.

quarta-feira, maio 15, 2013

A vida AiPh e DiPh

Não há dúvidas. Já tive duas vidas.
A vida antes do iPhone. A vida depois do iPhone.
Nunca liguei a tecnologias. Nunca quis coisas smart, que para smart já estou cá eu, um telefone era isso mesmo, servia para fazer chamadas, mandar umas mensagens, estar contactável.
Nunca comprei um telemóvel. Ficava pacificamente com o que já não servia aos outros, enfiava-lhe o cartão SIM e já estava. Era atar e por ao fumeiro, que é como quem diz, carrega  a bateria disso e fala.
Depois tudo mudou. Um dia, Dito-Cujo ofereceu-me um iPhone.
O iPhone é um bocadinho como a Bimby. Quando achamos que já o conhecemos e não nos consegue surpreender, o gajo pumbas, faz mais um brilharete, deixa-nos mais agarradas.
Não consigo viver sem ele. Quando penso que me esqueci dele em casa, tenho suores frios. Quando fica sem bateria pareço louca em busca de um carregador.
No outro dia, estava eu com as migalhas no parque aqui perto, e vejo vir ao longe o que me parecia ser um sem-abrigo com uma valente piela. A única coisa que tinha com algum valor, era o meu iPhone religiosamente enfiado no bolso. Na vida antes do iPhone, o meu lema era "vão-se os aneis, ficam os dedos, se por acaso me vierem assaltar dou tudo, o importante é que não me façam mal".  Na vida depois do iPhone, tiro as medidas ao potencial assaltante, vejo quais as hipotéses que tenho de lhe enfiar um pontapé nos tomates até o fazer cair de joelhos, enquanto grito "corram" para migalhas e corro atrás delas com o meu iPhone são e salvo, no bolso.



À primeira vista

Um rapaz e uma rapariga estão com cara de cão, com olhar desviado dos olhos do outro, a chorar, encostados a uma esquina no meio da rua, mãozita dada na ponta dos dedos.
Eu imagino que estão a acabar o namoro. E imagino que pelo menos um deles está a chorar de alegria.
Dirão que sou insensível. Eu digo que sou realista.

Carta Aberta a S. Pedro

Exmo Sr. São Pedro
Querido São Pedro

Pensei muito antes de te escrever estas linhas. Sei que deves ser uma pessoa ocupada, o Mundo é grande e dá uma trabalheira decidir que tempo vai fazer em cada parte. Enquanto eu tenho que decidir se calço as botas pretas ou as sabrinas azuis, tu tens que decidir se mandas um tufão para a China ou se bates records de temperaturas máximas na Amareleja.
Em frente. Pensei muito, mas decidi escrever-te na mesma, na esperança de te apanhar na pausa do café ou a navegar com o iPad na casa de banho.
São Pedro, a vida em Portugal é lixada. Tu ouves as notícias, isto está a pegar fogo. Há desempregados, há fome, os impostos são em resma, o Passos Coelho e o Garpar envelheceram vinte anos desde que chegaram ao governo, há manifestações, greves, a malta está sem cheta.
Mas sempre tivemos uma coisa boa e ainda por cima barata: a vida ao ar livre. Somos um país de clima temperado e ameno, de lindos dias de sol e calor, temos uma costa de praias maravilhosas. Ir à praia é uma coisa barata, estás a ver? Levam-se umas sandochas, compram-se uns gelados aos putos, metem-se dez euros de gasóleo e fazemos uma festa. Quem não tem dez euros para o gasóleo, ou não pagou o seguro do carro, ou já lhe levaram o carro porque não pagou o empréstimo, tem os parques. Ir ao parque é muita barato, estás a ver? A malta leva uns pacotes de bolachas, solta os putos nos escorregas, e fica ali, apanha ar, apanha sol, lembra-se quando tinha dinheiro para ir passar os fins de semana ao turismo rural, ou de como era boa a vida antes de deixar de pagar o carro.
Quando chove isto é uma merda. Temos de enfiar os putos na KidZania ou no cinema (sabes quanto custa levar três putos ao cinema?), ou no Oceanário, ou ficamos em casa a ter crises de nervos e a distribuir galhetas a torto e a direito. Nos dias mesmo maus e deprimentes, podemos ir almoçar ao McDonalds do Colombo.
Estás a ver onde quero chegar? Nós aguentamos o meio ano que temos de Inverno, porque sabemos que a seguir vem a Primavera e o Verão, e já se sabe que com sol tudo se leva melhor.
Estamos em Maio. A Primavera começou dia 21 de Março. Não faças essas cara de espanto, toda a gente sabe que o tempo passa a correr.
Estamos cansados. Precisamos do nosso clima de volta. As pessoas marcam casamentos para Maio, sabias? As noivas mandam fazer vestidos sem mangas e sem costas e organizam almoços na beira da piscina.
É isto. Não te tomo mais tempo, que precisas de ir tratar do tempo (não teve graça, eu sei) mas se puderes, faz lá essa coisa tão portuguesa como o céu azul: dá aí jeitinho,vê lá o que se arranja.

Xaxia

terça-feira, maio 14, 2013

Quando pensamos que já ouvimos tudo

Amiga de Sempre queixa-se que o seu próprio Dito-Cujo trabalha muito.
Bem, isto não é bem verdade. Eu, trabalho muito. Marido de Amiga de Sempre vive no trabalho e de vez em quando vem a casa ver se a cara de família não passou a ser apenas uma cara familiar.
O trabalho dele é lixado e exigente. O chefe dele será, pelo menos na minha criativa imaginação, um filho da mãe solitário que quer companhia ao jantar e quanto mais tarde chegar a casa melhor. E ele próprio, um viciado nos números e nos objectivos, e essas coisas piores que álcool e drogas.
Amiga de Sempre acarta com tudo. Com os dois filhos, as reuniões da escola, as consultas do pediatra, as compras do supermercado, o seu próprio trabalho, faz toda a gestão da casa.
Amiga de Sempre não é de se queixar. Guarda lá para ela, não é de fazer alarido, muito ao género os problemas resolvem-se dentro de casa. Mas de vez em quando lá solta um desabafo.
Amiga de Sempre resolveu dar um murro na mesa. Quésedizer, não foi beeem um murro. Se tivesse que o classificar como um tipo de ofensa corporal diria que foi um calduço. Ou uma belinha. Um piparote, na melhor das hipóteses. Vá, foi mais um alerta.
Resolveu queixar-se da carga que transporta, de jantar sempre sozinha, dos longos serões com o prato dele dentro do microndas, lembrou-o de tudo o que perde na vida dos filhos de cada dia que trabalha catorze horas. Uma chamadinha de atenção bastante pertinente.
E ele que sim, que é verdade, cheio de culpas, sou péssimo e tal. Mas...
Mas, (e agora sentemo-nos para poder apreciar condignamente a melhor desculpa que ouvi na vida), mas, dizia ele, a culpa é dela.
"Tua?", perguntei-lhe incrédula. Sim. Porque é pouco exigente com ele, porque pressiona pouco, porque trata de tudo deixando que ele se demita das suas obrigações, tem um grau de exigência fraquinho fraquinho.
E eu vos digo, que com este argumento, marido de Amiga de Sempre conseguiu transformar aquilo que aos meus olhos femininos era uma espécie de super-mãe-super-mulher-super-dona-de-casa-que-ainda-por-cima-faz-crochet-e-costura-o-que-a-torna-numa-espécie-de-fada-do-lar, numa mulher que aparentemente não relembra o homem que é marido, que é pai, e que o que se passa hoje já não acontece amanhã, e quem estava viu, quem não estava só ouviu a história, e é se alguém se lembrar de a contar. Uma mulher que não faz pela família, portanto.E ela a achar, que o melhor que podia fazer pela família era aquela correria para chegar a todo lado. Está visto que Amiga de Sempre não percebe nada do assunto.
Mas tratou de começar a resolver a questão, antes que a questão a resolvesse a ela.
Amiga de Sempre aumentou o grau de exigência, ensinou-lhe o caminho para o pediatra e para o colégio, e no fundo, no fundo, fiquei com um nadinha de inveja.
Oh pá, que bom que era que Dito-Cujo meu marido chegasse agora a casa a dizer que eu aperto pouco com ele e para o mandar fazer coisas e tal. Era menina para ficar de sofá uns dias só a "pressionar" o moço. Tudo pela união familiar.




segunda-feira, maio 13, 2013

Sobre Migalhas na cama dos pais

Temos um problemazinho. Quer dizer, pelo ar zangado de Dito-Cujo, temos um problemaço.
Migalhas mais pequenas acordam a meio de todas as noites, todas sem excepção, e rumam para a minha cama. Até o mais bebé, que chamava e choramingava para irmos lá, "ábua, chucha", e depois de nos apanhar agarrava-se tipo carrapato até ser transportado,  já se levanta e vai pé ante pé do quarto dele directinho para o nosso quarto.
A Migalha do Meio, que não sei se alguma vez na vidinha dela dormiu uma noite inteira de seguida, faz o mesmo. Levanta-se, e lá vai ela. Só que enquanto o bebecas chega, deita-se e dorme, ela rebola-se, mete-nos os pés em cima, vira-se 334 vezes, agarra na almofada, vira-se com a cabeça para os pés e os pés para a cabeça,  bem encontadinhos à nossa cara...Um desatino.
Dito-Cujo já se está a passar. E claro, diz que a culpa é minha.
Talvez seja. Eu passei noites e noites da minha infância morta de medos na minha cama. Tinha medo do escuro, tinha medo dos bichos, dos ladrões, começava a imaginar cobras e lagartos debaixo da cama, todas as sombras me pareciam alguma coisa. E lembro-me que chorava. E que vivia momentos de verdadeiro pânico até ser vencida pelo sono. Claro que em casa dos meus pais não havia cá estas procissões de pé-descalço todos os dias. Cama dos pais? Só de manhã e só ao fim de semana. Vá, e se estivessemos muito doentes, lá se abria uma excepção. Lembro-me de uma vez ou outra me ter enfiado do lado da minha mãe, mas mal o meu pai dava por isso, recambiava-me para a minha cama.
Só comecei a adormecer no meu quarto sem cenas, já era adolescente. E mesmo nessa altura fechava o estore até não entrar uma nesga de luz, e tinha pavor só de imaginar que alguém, vindo sabe-se lá de onde, trepava as paredes e me entrava pela janela dentro. Pessoas que cabem nos buracos do estore? Sei lá, no meio do medo intenso, tudo parece possível.
Bem sei que temos que os ensinar a lidar com os medos. Bem sei que têm que aprender a conciliar o sono, auto controlarem-se, que isso lhes dá segurança. Que temos que explicar que o quarto deles é um lugar seguro, onde podem dormir tranquilos. 
E estamos assim. Eu bem digo à Migalha do Meio que só vai para a nossa cama de manhã, mas quando ela me aparece lá estremunhada a meio da noite, a correr em passinhos assustados, não tenho coragem de a mandar embora.
Outra forma de aplacar pai furioso, é ir eu para a cama dela. O pior é que depois Migalha Pequeno vai chegar ao meu quarto e vai deitar o prédio abaixo quando vir que não estou lá.
Bem, podemos acabar todos os três na mini cama de Migalha do Meio, enquanto Dito-Cujo ressona no seu T4 de 2 metros de largura.
Pois...Não está fácil.
Raio da miúda que não pára quieta! Se ela deixasse dormir, Dito-Cujo nem sabia que ela lá estava a não ser pela alvorada.
Ainda assim, tenho esperança que a coisa se componha por si. Migalha Crescida sofreu do mesmo mal e passou-lhe quando começou a apreciar dormir a noite toda descansada e esticada numa cama só dela.
Ainda assim uma coisa é certa. Não vai ser hoje.