Eu tento, eu juro que tento. Ah e tal, amanhã é dia da mãe, estou sozinha com os três, deixa cá ver se consigo imprimir aqui um pouco de paz e sossego. Não gritar, não alterar um milímetro a voz, manter-me paciente, certa de que a minha doçura as irá imbuir do mesmo espirito, a utilizar aquela teoria de recebemos aquilo que damos.
Infelizmente, este principio que tão bem se aplica às relações laborais, ou com clientes, não funciona cá por casa. Não por muito tempo.
Hoje durou até às nove e picos. Só posso concluir que migalhas não abdicam da dinâmica faz merda lá vem grito lá vem palmada. Não são dados à tranquilidade familiar nem à coisa zen e tal. Gostam da confusão que se instala, de me ver descabelada, de ficarem uns minutos de castigo, de dizerem a mãe é má, de jurarem que não fazem mais, de se rirem quando me passo e quanto mais se riem mais me passo e quanto mais me passo mais se riem.
A maternidade é linda!
O maravilhoso header é cortesia da Palmier Encoberto. Quem mais?
sábado, maio 04, 2013
sexta-feira, maio 03, 2013
A roda dos tormentos
Como se não tivesse já um monte de coisas com que me ocupar e pouco tempo para me ocupar com coisa nenhuma, eis que fui eleita pela professora da migalha mais velha (pulinhos de felicidade), para fazer uma roda dos alimentos (ainda assim grata por não me ter calhado uma casa da Madeira ou uma chaminé do Algarve).
Interessante, pensam vocês, já com a cabeça a fervilhar de ideias, já a imaginarem alfaces de papel de lustro e bifes de pasta de papel.
Hoje comecei, não vá não conseguir apresentar o trabalhinho antes da professora eleger outro pai para o fazer. Até era uma sorte se isso acontecesse, mas infelizmente, migalha iria ficar para cima de triste, envergonhada e furiosa comigo. Lixada mesmo.
Comecei pelo Google (nem sei como existia vida antes do Google), para ser brindada com uma roda dos alimentos bem diferente daquela que me ensinaram na escola. Depois fiz aquilo que sei fazer melhor...roubei descaradamente ideias de outras rodas dos alimentos "caseiras", apesar de ter que estar com atenção, porque há ideias que nem copiar sei. E pronto, olha olha, um bife feito de esferovite, um pacote de leite Mimosa colado, boa, isto sei fazer.
Claro que tudo o que existe feito e que seja menos perecível que os verdadeiros alimentos, já cá canta. Frutas e legumes de plástico, massas e feijões e arroz, pães verdadeiros feitos com muito sal e pouco fermento (a ver se não fazem criação de bicharada, não queremos proteína no sítio dos cereais).
Tudo a juntar às trinta cartolinas, às colas, etc e tal, já perfaz uma roda de alimentos de um valor que dava para matar a fome a pelo menos metade de África durante uma semana.
Bom, a verdade é que sei as minhas limitações, e as minhas limitações com os trabalhos manuais acompanham-me desde que sou gente. Sou o género de pessoa que durante o liceu não ganhou uma bolsa de estudo porque não conseguia positiva a desenho. Matemática, português, química ou biologia, dá cá cincos e quatros...Desenho... vá um dois. Três anos seguidos. Eu sou o género de pessoa que artilhada de régua e esquadro não consegue fazer uma linha recta.
Por isso é melhor não elevar muito as expectativas da migalha, não vá ela pensar que vai apresentar alguma obra da Joana Vasconcelos à turma, para depois os brindar com um cacho de uvas de plástico e uma meia dúzia de grãos de bico a fazer pendant com um peixe de esferovite.
Oh vida!
Interessante, pensam vocês, já com a cabeça a fervilhar de ideias, já a imaginarem alfaces de papel de lustro e bifes de pasta de papel.
Hoje comecei, não vá não conseguir apresentar o trabalhinho antes da professora eleger outro pai para o fazer. Até era uma sorte se isso acontecesse, mas infelizmente, migalha iria ficar para cima de triste, envergonhada e furiosa comigo. Lixada mesmo.
Comecei pelo Google (nem sei como existia vida antes do Google), para ser brindada com uma roda dos alimentos bem diferente daquela que me ensinaram na escola. Depois fiz aquilo que sei fazer melhor...roubei descaradamente ideias de outras rodas dos alimentos "caseiras", apesar de ter que estar com atenção, porque há ideias que nem copiar sei. E pronto, olha olha, um bife feito de esferovite, um pacote de leite Mimosa colado, boa, isto sei fazer.
Claro que tudo o que existe feito e que seja menos perecível que os verdadeiros alimentos, já cá canta. Frutas e legumes de plástico, massas e feijões e arroz, pães verdadeiros feitos com muito sal e pouco fermento (a ver se não fazem criação de bicharada, não queremos proteína no sítio dos cereais).
Tudo a juntar às trinta cartolinas, às colas, etc e tal, já perfaz uma roda de alimentos de um valor que dava para matar a fome a pelo menos metade de África durante uma semana.
Bom, a verdade é que sei as minhas limitações, e as minhas limitações com os trabalhos manuais acompanham-me desde que sou gente. Sou o género de pessoa que durante o liceu não ganhou uma bolsa de estudo porque não conseguia positiva a desenho. Matemática, português, química ou biologia, dá cá cincos e quatros...Desenho... vá um dois. Três anos seguidos. Eu sou o género de pessoa que artilhada de régua e esquadro não consegue fazer uma linha recta.
Por isso é melhor não elevar muito as expectativas da migalha, não vá ela pensar que vai apresentar alguma obra da Joana Vasconcelos à turma, para depois os brindar com um cacho de uvas de plástico e uma meia dúzia de grãos de bico a fazer pendant com um peixe de esferovite.
Oh vida!
Cenas das organizações
Está sol, é sexta feira, tudo se leva melhor com sol e quando não é para vir arranhar no fim de semana.
Apesar da reunião que tive que animar logo pela fresca, com uns cinquenta ou sessenta caramelos a olhar para mim, a ver se me engasgo, se me engano, se tenho as cuecas enfiadas no rabo, se o cabelo tá para o oleoso, tudo menos ligarem pevide ao que digo. E eu ali a esforçar-me para fazer um ar animado, a pedir palminhas, e a ver na cara deles um ar de gozo misturado com alguma condescendência, coitadita, tem que fazer estas figuras, faz parte do trabalho dela tratar-nos como se fossemos todos acéfalos.
E estas reuniões matinais deixam-me completamente esgotada, são cinco minutos de uma intensidade de estupidez altamente desgastaste, e só mesmo escrever um post na hora do patrão para me animar.
Eu não sou uma pessoa simpática, e não consigo assumir este papel sem achar que estou a fazer uma figurinha. Ehhhhh! Palminhas, belos resultados. Ohhhhh... Não conseguiu, palminhas de consolação, para a semana será melhor. E a minha dignidade, a minha postura, onde fica?
Deus ma livre...
Vou mas é jogar no Euromilhões.
Apesar da reunião que tive que animar logo pela fresca, com uns cinquenta ou sessenta caramelos a olhar para mim, a ver se me engasgo, se me engano, se tenho as cuecas enfiadas no rabo, se o cabelo tá para o oleoso, tudo menos ligarem pevide ao que digo. E eu ali a esforçar-me para fazer um ar animado, a pedir palminhas, e a ver na cara deles um ar de gozo misturado com alguma condescendência, coitadita, tem que fazer estas figuras, faz parte do trabalho dela tratar-nos como se fossemos todos acéfalos.
E estas reuniões matinais deixam-me completamente esgotada, são cinco minutos de uma intensidade de estupidez altamente desgastaste, e só mesmo escrever um post na hora do patrão para me animar.
Eu não sou uma pessoa simpática, e não consigo assumir este papel sem achar que estou a fazer uma figurinha. Ehhhhh! Palminhas, belos resultados. Ohhhhh... Não conseguiu, palminhas de consolação, para a semana será melhor. E a minha dignidade, a minha postura, onde fica?
Deus ma livre...
Vou mas é jogar no Euromilhões.
quinta-feira, maio 02, 2013
Porque os há
Há os parvos, há os idiotas, há os mete-nojo e depois há os coirões.
Ninguém suporta um coirão.
Ninguém suporta um coirão.
Sobre o suicídio
Um colega meu suicidou-se.
Não, não me era minimamente próximo. Aliás, tive que ir ao organigrama da empresa procurar uma cara para associar ao nome. Mas a questão não é essa.
A questão foram os comentários que as pessoas fizeram. Que não tinham notado absolutamente nada diferente. Que se tinha despedido normalmente antes de sair. Que não tinha desmarcado as reuniões que tinha para o dia seguinte. Que alguma coisa tinha acontecido inesperada naquele intervalo de tempo. Houve inclusive rumores que a PJ estaria a investigar, tão estranho que era, o rapaz tão bem a aparecer morto num sítio ermo. E com filhos pequenos e tudo...
E eu a pensar, queriam o quê, que ele dissesse é melhor não contarem comigo para a reunião de sexta-feira que estou a modos que a pensar matar-me, ou que se despedisse com beijos e abraços acalorados e despropositados?
Não faço ideia do que está na cabeça de alguém nos dias ou momentos que antecedem o suícidio, mas a mim o que me parece é que quem não dá nenhum sinal, é quem quer garantir que o vai conseguir.
Não vou discutir se é coragem ou cobardia, não consigo responder a essa pergunta de forma linear. Também não duvido que o que deixam a quem fica é pesado e quase ingerível, mas é um caminho, o derradeiro, o que não tem volta. E há quem o escolha.
Não, não me era minimamente próximo. Aliás, tive que ir ao organigrama da empresa procurar uma cara para associar ao nome. Mas a questão não é essa.
A questão foram os comentários que as pessoas fizeram. Que não tinham notado absolutamente nada diferente. Que se tinha despedido normalmente antes de sair. Que não tinha desmarcado as reuniões que tinha para o dia seguinte. Que alguma coisa tinha acontecido inesperada naquele intervalo de tempo. Houve inclusive rumores que a PJ estaria a investigar, tão estranho que era, o rapaz tão bem a aparecer morto num sítio ermo. E com filhos pequenos e tudo...
E eu a pensar, queriam o quê, que ele dissesse é melhor não contarem comigo para a reunião de sexta-feira que estou a modos que a pensar matar-me, ou que se despedisse com beijos e abraços acalorados e despropositados?
Não faço ideia do que está na cabeça de alguém nos dias ou momentos que antecedem o suícidio, mas a mim o que me parece é que quem não dá nenhum sinal, é quem quer garantir que o vai conseguir.
Não vou discutir se é coragem ou cobardia, não consigo responder a essa pergunta de forma linear. Também não duvido que o que deixam a quem fica é pesado e quase ingerível, mas é um caminho, o derradeiro, o que não tem volta. E há quem o escolha.
quarta-feira, maio 01, 2013
Querido e amado marido #5
Parece que os miúdos me querem oferecer um porta-moedas para o Dia da Mãe. Querem oferecer um grande, que dê para muitos papéis e muitos cartões, que eles sabem como eu sou.
Vá, não os desiludas, sabes como estas coisas são importantes para eles.
Vá, não os desiludas, sabes como estas coisas são importantes para eles.
Acabo de ver o anuncio da Radio Comercial na televisão
E até eu, que sou dada à lágrima fácil, que me comovo com a exposição do sentimentos, mesmo aqueles que devemos resguardar, que sou uma pirosa, um alvo fácil das agências de publicidade quando toca de puxar ao coração, até eu, acho que há ali no anuncio da Rádio Comercial uma exploração de uma situação e uma tentativa mal conseguida de querer mostrar uma proximidade completamente desadequada.
Não digo que não seja verdade, acredito piamente que em fases duras e dificeis as coisas que nos alegram, nem que seja por instantes, ganhem uma dimensão que de outra forma não teriam, mas espero muito sinceramente que tenha existido muito mais que as piadolas dos animadores da Rádio Comercial a empurrar a vida daquela mulher para a frente.
A sério, têm a certeza que era isto que queriam fazer?
Não digo que não seja verdade, acredito piamente que em fases duras e dificeis as coisas que nos alegram, nem que seja por instantes, ganhem uma dimensão que de outra forma não teriam, mas espero muito sinceramente que tenha existido muito mais que as piadolas dos animadores da Rádio Comercial a empurrar a vida daquela mulher para a frente.
A sério, têm a certeza que era isto que queriam fazer?
A Primark, o Bangladesh e eu
Chego a casa depois de um dia de trabalho, ligo a televisão, está a dar o telejornal que dá depois da meia noite, e há crianças a chorar com fotografias nas mãos, e repetem que perderam a mãe, e as irmãs, e que não têm ninguém que cuide delas. E estão em frente ao monte de destroços do prédio que desabou no Bangladesh, enquanto as equipas de salvamento procuram corpos, ou muito pouco provável, sobreviventes.
E a Primark já veio dizer que vai ajudar as famílias dos mortos e desaparecidos, e eu a pensar, que não há dinheiro no mundo que lhes possa comprar o que perderam, e eu a pensar em cada peça da Primark comprada ao preço da uva mijona que entrou pela minha porta dentro, e eu tão contente porque é tão barato e os miúdos crescem a correr, e eu até desconfio que lá para os países que constam nas etiquetas alguém tenha de passar mal para que um pijama comprado a 10000km custe cinco euros, mas agora não desconfio, tenho a certeza, porque está mesmo ali em frente aos meus olhos, as crianças a chorar com as fotografias na mão, há espera de um milagre vindo debaixo do chão.
E depois o dilema, como deixar de comprar na Primark, ou na Zara, ou na H&M, logo para eles, que são três e estão sempre a crescer, e a roupa dura menos de uma estação, e não tenho dinheiro para os vestir de marcas, além que as marcas supostamente melhores também têm as fábricas plantadas lá pelo Oriente...E fico sem saber o que fazer, ou melhor, sei o que devia fazer mas não o faço, e é por isto e por pessoas como eu que este mundo não passa da cepa torta. E queria ser diferente, e explicar às migalhas que em vez de dez t-shirts só iriam ter cinco, mas todas feitinhas em Portugal, onde não há trabalho infantil, nem fábricas a ruir, porque há quem trate disso, e veja em que condições as pessoas trabalham, os ordenados são baixos mas há mínímos que não há no Bangladesh, e ainda por cima ajudava a economia.
Porque é que os caminhos certos são sempre tão dificeis de seguir mesmo quando são faceis de encontrar?
E a Primark já veio dizer que vai ajudar as famílias dos mortos e desaparecidos, e eu a pensar, que não há dinheiro no mundo que lhes possa comprar o que perderam, e eu a pensar em cada peça da Primark comprada ao preço da uva mijona que entrou pela minha porta dentro, e eu tão contente porque é tão barato e os miúdos crescem a correr, e eu até desconfio que lá para os países que constam nas etiquetas alguém tenha de passar mal para que um pijama comprado a 10000km custe cinco euros, mas agora não desconfio, tenho a certeza, porque está mesmo ali em frente aos meus olhos, as crianças a chorar com as fotografias na mão, há espera de um milagre vindo debaixo do chão.
E depois o dilema, como deixar de comprar na Primark, ou na Zara, ou na H&M, logo para eles, que são três e estão sempre a crescer, e a roupa dura menos de uma estação, e não tenho dinheiro para os vestir de marcas, além que as marcas supostamente melhores também têm as fábricas plantadas lá pelo Oriente...E fico sem saber o que fazer, ou melhor, sei o que devia fazer mas não o faço, e é por isto e por pessoas como eu que este mundo não passa da cepa torta. E queria ser diferente, e explicar às migalhas que em vez de dez t-shirts só iriam ter cinco, mas todas feitinhas em Portugal, onde não há trabalho infantil, nem fábricas a ruir, porque há quem trate disso, e veja em que condições as pessoas trabalham, os ordenados são baixos mas há mínímos que não há no Bangladesh, e ainda por cima ajudava a economia.
Porque é que os caminhos certos são sempre tão dificeis de seguir mesmo quando são faceis de encontrar?
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