O fiambre olha para mim. Eu olho para o fiambre. Para o de porco, para o peito perú, para as fatias finas de frango.
Olho de forma muito diferente do que olhava até ontem.
Cancerígenos. Já desconfiava. Mas agora está ali preto no branco.
Não vou mandar esta merda aos miúdos.
Não hoje.
O maravilhoso header é cortesia da Palmier Encoberto. Quem mais?
terça-feira, outubro 27, 2015
segunda-feira, outubro 26, 2015
Isto com calma ainda vira um blogue daqueles das ralações das mães
Já referi algures, julgo que mais do que uma vez, que Migalha do Meio tem excesso de peso.
Mesmo, mesmo, excesso de peso. Em outras épocas, talvez fosse apenas "gordinha", não sei. O que sei é que hoje, quando a pediatra tem que marcar o peso dela numa daquelas curvas dos percentis, que relacionam o peso com a idade, vejo sempre uma bolinha a boiar lá em cima, sem curva que a ampare.
Posso dizer que foi estupidamente de repente que a coisa se deu. Num dia estava a usar um vestido num batizado, passados dois meses o fecho do vestido simplesmente não corria e foi a um casamento de costas ao léu.
Lembro-me que no fim dessas férias, quando regressou à escola, eu podia ver o arzinho de espanto na cara das educadoras. "Isso é que foi medrar!" Quase apanhavam os queixos do chão.
A pediatra só confirmou aquilo que já sabia. Excesso de peso. Por ser demasiado pequena, não havia cá conversas de dietas nem nutricionistas. Pequenas alterações, evitar doces e porcarias no dia a dia, nas festas e ocasiões especiais não colocar qualquer restrição.
A minha grande preocupação até certa altura, era que ela não percebesse que tinha excesso de peso. Não se come açucar (são a grande perdição dela, os doces), porque faz mal à saúde, não se enfardam cinco quilos de esparguete, porque faz mal à saúde. Em vez disso, tinha que comer sopinha e frutinha.
Mas é uma merda. É uma merda porque não há milagres. Porque ela odeia saladas e legumes, não come uma boa parte das frutas, e na sopa é muito esquisita. Ah e tal, insistir, com a continuação ela acaba por se habituar. Pois. Um bocado de alface é coisa para a fazer agoniar-se toda, já com a gordura da carne, até se lambe.
Para ajudar a este cenário, quase toda a actividade física é obviamente uma seca. Típico. Andar a pé? Uma maçada. Uma caminhada na praia? Xiiiii....Nem pensar. A única excepção é a dança, desporto que consigo que ela faça com prazer e sem questão.
Bom, não fui bem sucedida na parte de não querer que se apercebesse que estava "gordinha". Mesmo na fase em que as crianças têm zero de maldade e jamais se referem ao aspecto fisíco das outras crianças, nunca consegui controlar a estupidez natural de algumas pessoas que não se pouparam a comentários idiotas. Eventualmente por se situarem no espectro da espécie humana que habitualmente designo de calhaus com olhos. Ou terem a sensibilidade de um protozoário.
Enfim. Não é fácil. Ela sabe que é gorda. Ela verbaliza. Quando não a deixo comer cereais todas as manhãs, quando digo que refrigerantes só ao fim de semana.
Não a vejo propriamente infeliz com isto de ter excesso de peso. Apesar disso, já muitas vezes pensei se haverá alguma causa emocional para as fomes desenfreadas que lhe dão amiúde. Se procura alguma compensação na comida. O que faz uma criança de sete anos pensar constantemente em comer?
A genética também não ajuda. Uma boa parte da família é muuuuuiiiiito gorda, e os que não são, fecham a boquinha como podem, que mal a malta desata a comer tudo o que apetece, é ver o ponteiro da balança a subir. Eu que o diga.
Como se não bastasse a angústia que isto gera, que isto de ter uma filha pequena a fazer análises aos diabetes e ao colesterol pode ser assustador, as pessoas de uma forma geral criticam ferozmente a obesidade infantil como se fosse culpa exclusiva de pais desnaturados e irresponsáveis.. No outro dia lia no facebook o post de um humorista, sobre os pais de crianças obesas que as levam ao Mcdonald's. Tive muita vontade de ir lá perguntar o que percebe ele de crianças de uma forma geral ou de crianças obesas em particular, mas caguei por achar que não ia adiantar absolutamente nada.
Talvez pareça fácil privar uma criança do que ela mais gosta. Mas não é.
Por outro lado, temos os eternos optimistas, que sempre que nos encontram dizem que é preciso ter calma que não tarda dá um pulo, e estica, que fulano quando era pequeno tinha uma barriguça como a dela, e agora é o pau de espeto que se vê.
Eu espero que sim. Que dê um grandA pulo, e estique, tipo que se dê o fenómeno que parece que se deu há uns anos, mas em sentido inverso.
Até lá, mantemos o lei magro e a sopa sem batata.
E a roupa para doze anos.
E a calma.
Mesmo, mesmo, excesso de peso. Em outras épocas, talvez fosse apenas "gordinha", não sei. O que sei é que hoje, quando a pediatra tem que marcar o peso dela numa daquelas curvas dos percentis, que relacionam o peso com a idade, vejo sempre uma bolinha a boiar lá em cima, sem curva que a ampare.
Posso dizer que foi estupidamente de repente que a coisa se deu. Num dia estava a usar um vestido num batizado, passados dois meses o fecho do vestido simplesmente não corria e foi a um casamento de costas ao léu.
Lembro-me que no fim dessas férias, quando regressou à escola, eu podia ver o arzinho de espanto na cara das educadoras. "Isso é que foi medrar!" Quase apanhavam os queixos do chão.
A pediatra só confirmou aquilo que já sabia. Excesso de peso. Por ser demasiado pequena, não havia cá conversas de dietas nem nutricionistas. Pequenas alterações, evitar doces e porcarias no dia a dia, nas festas e ocasiões especiais não colocar qualquer restrição.
A minha grande preocupação até certa altura, era que ela não percebesse que tinha excesso de peso. Não se come açucar (são a grande perdição dela, os doces), porque faz mal à saúde, não se enfardam cinco quilos de esparguete, porque faz mal à saúde. Em vez disso, tinha que comer sopinha e frutinha.
Mas é uma merda. É uma merda porque não há milagres. Porque ela odeia saladas e legumes, não come uma boa parte das frutas, e na sopa é muito esquisita. Ah e tal, insistir, com a continuação ela acaba por se habituar. Pois. Um bocado de alface é coisa para a fazer agoniar-se toda, já com a gordura da carne, até se lambe.
Para ajudar a este cenário, quase toda a actividade física é obviamente uma seca. Típico. Andar a pé? Uma maçada. Uma caminhada na praia? Xiiiii....Nem pensar. A única excepção é a dança, desporto que consigo que ela faça com prazer e sem questão.
Bom, não fui bem sucedida na parte de não querer que se apercebesse que estava "gordinha". Mesmo na fase em que as crianças têm zero de maldade e jamais se referem ao aspecto fisíco das outras crianças, nunca consegui controlar a estupidez natural de algumas pessoas que não se pouparam a comentários idiotas. Eventualmente por se situarem no espectro da espécie humana que habitualmente designo de calhaus com olhos. Ou terem a sensibilidade de um protozoário.
Enfim. Não é fácil. Ela sabe que é gorda. Ela verbaliza. Quando não a deixo comer cereais todas as manhãs, quando digo que refrigerantes só ao fim de semana.
Não a vejo propriamente infeliz com isto de ter excesso de peso. Apesar disso, já muitas vezes pensei se haverá alguma causa emocional para as fomes desenfreadas que lhe dão amiúde. Se procura alguma compensação na comida. O que faz uma criança de sete anos pensar constantemente em comer?
A genética também não ajuda. Uma boa parte da família é muuuuuiiiiito gorda, e os que não são, fecham a boquinha como podem, que mal a malta desata a comer tudo o que apetece, é ver o ponteiro da balança a subir. Eu que o diga.
Como se não bastasse a angústia que isto gera, que isto de ter uma filha pequena a fazer análises aos diabetes e ao colesterol pode ser assustador, as pessoas de uma forma geral criticam ferozmente a obesidade infantil como se fosse culpa exclusiva de pais desnaturados e irresponsáveis.. No outro dia lia no facebook o post de um humorista, sobre os pais de crianças obesas que as levam ao Mcdonald's. Tive muita vontade de ir lá perguntar o que percebe ele de crianças de uma forma geral ou de crianças obesas em particular, mas caguei por achar que não ia adiantar absolutamente nada.
Talvez pareça fácil privar uma criança do que ela mais gosta. Mas não é.
Por outro lado, temos os eternos optimistas, que sempre que nos encontram dizem que é preciso ter calma que não tarda dá um pulo, e estica, que fulano quando era pequeno tinha uma barriguça como a dela, e agora é o pau de espeto que se vê.
Eu espero que sim. Que dê um grandA pulo, e estique, tipo que se dê o fenómeno que parece que se deu há uns anos, mas em sentido inverso.
Até lá, mantemos o lei magro e a sopa sem batata.
E a roupa para doze anos.
E a calma.
Sonhei com gatos
E mesmo não acreditando (quase) no que os sonhos querem dizer, a não ser coisas cá nossas e dos nossos botões, fui ver o que poderiiiiia querer dizer. Se acreditasse. Que não acredito.
E sonhar com gatos é mau. É mau agouro. É andar um período (não especifica se são dois dias ou dois anos), com falta de sorte.
Bom, isto foi de sábado para domingo.
Domingo para segunda, esta noite portanto, sonhei que a Filipa era revendedora da Avon (até teve a sua piada mas era escusado sonhar com a Filipa), de manhã bati com o carro com culpa inteiramente minha, e como se não bastasse, o drama, o horror: vesti umas calças pretas a pensar que eram as azuis escuras e só reparei quando lhes bateu o solinho da manhã. Que lindo fica o lenço do pescoço amarelo e azul escuro com as calcinhas pretas.
E sonhar com gatos é mau. É mau agouro. É andar um período (não especifica se são dois dias ou dois anos), com falta de sorte.
Bom, isto foi de sábado para domingo.
Domingo para segunda, esta noite portanto, sonhei que a Filipa era revendedora da Avon (até teve a sua piada mas era escusado sonhar com a Filipa), de manhã bati com o carro com culpa inteiramente minha, e como se não bastasse, o drama, o horror: vesti umas calças pretas a pensar que eram as azuis escuras e só reparei quando lhes bateu o solinho da manhã. Que lindo fica o lenço do pescoço amarelo e azul escuro com as calcinhas pretas.
sábado, outubro 24, 2015
Tempo a dois e filhos pequenos
De manhã, algures entre o ballet, a ginástica e a praça (adoro ir à praça), ouvi na rádio alguém, não faço ideia quem seria, a falar sobre o tempo a dois dos casais com filhos pequenos. Não estava com muita atenção, a algazarra no carro não dá para grandes concentrações, mas lembrei-me de vos escrever sobre a minha experiencia com isto da maternidade e do tempo a dois.
Quando nasceu a minha primeira filha, Migalha Crescida, desapareci para o mundo. Desapareci enquanto mulher. Com as dores de parto, com a força da expulsão, com o alívio da epidural, algures num quarto de hospital, a Xaxia desapareceu para se tornar Mãe.
Ninguém me tinha avisado sobre este perigo, o de ser engolida por três quilos de gente, mas talvez não tivesse sido muito diferente se o tivessem feito, quando peguei a miúda nos braços fui invadida de um amor tão grande, tão arrebatador e tão desconcertante, que nem sabia muito bem o que fazer com ele. Queria unicamente olhar para ela, enroscá-la nos meus braços, levá-la para a minha cama, cheirá-la noite e dia.
O homem da casa, deixou de ser homem, e tornou-se aos meus olhos, pai. Só pai. Estava ali para o que fosse preciso. Chega-me o lençol de banho. Liga o esterelizador. Vai comprar fraldas.
Juntos, e do meu exclusivo ponto de vista, passámos a ter como única missão na vida, adorar uma criança que de repente ocupou todo o espaço da minha cabeça e do meu coração.
Eu não tinha tempo para ele. Aliás, eu não tinha tempo para mim.
O cabelo era preso de qualquer maneira num rabo de cavalo. Todos os dias. Porque era rápido. E prático. Não exigia escovas nem secadores. A roupa era confortável. Escolhida sem empenho Saltos altos, nem pensar. Bijuterias, nem pensar. Ainda a menina me engolia algum brinco, credo. Não tinha tempo para arranjar as mãos, para fazer a depilação, para me maquilhar. Mas não era preciso, para quê lá isso de estar bonita, se tinha virado uma espécie de mulher assexuada com reserva exclusiva para a miúda?
Não me lembro quanto tempo durou isto. Sei que olho para as fotos da minha filha bebé e não reconheço aquela gorda canastrona que a segura nos braços.
Dito-Cujo foi paciente. Habituou-se a chegar à cama e ter a cama vazia, ou uma mulher a dormir, ou uma bebé no lugar dele.
Não é nada de admirar que ocorram tantos divórcios entre casais acabadinhos de ser pais. Há mulheres ainda piores que eu, que quase sentem que traem os filhos por darem atenção aos maridos.
Por isso se torna quase irónico as pessoas que decidem enfiar bebés no meio de relações frágeis. Não dá amigos, simplesmente não dá. Ou aquela merda tem alicerces decentes, ou vai tudo pelo cano abaixo.
Não sei dizer com exactidão quando a coisa se inverteu. Mas sei que é muito fácil e muito rápido degradar uma relação se cedermos aos constantes apelos do nosso coração de mãe e de hormonas egoístas.
Com os outros filhos já não foi assim. Curiosamente, apesar do trabalho e da exigência se terem tornado muito maiores, ganhei muito tempo. Aprendi a soltar-me, e a soltá-los. Sem pesos na consciência.
Hoje, conseguimos encontrar com muita frequência brechas nos espartilhos da vida familiar que preenchemos com tempo só nosso. Tenho a certeza que é este tempo, curto mas de qualidade e que passamos sozinhos, que nos ajuda a levar o barco para a frente. Claro que ajuda ter com quem os deixar. Claro que ajuda saber que estão muito bem entregues e muito bem cuidados.
Minha gente, mães de primeira viagem, nem todos os homens têm a pachorra que o meu teve. Nem todas as mulheres percebem a tempo que aquela imagem que o espelho lhes devolve já nem é delas.
Não há melhor coisa que possamos oferecer às criancinhas que uma família feliz.
Quando nasceu a minha primeira filha, Migalha Crescida, desapareci para o mundo. Desapareci enquanto mulher. Com as dores de parto, com a força da expulsão, com o alívio da epidural, algures num quarto de hospital, a Xaxia desapareceu para se tornar Mãe.
Ninguém me tinha avisado sobre este perigo, o de ser engolida por três quilos de gente, mas talvez não tivesse sido muito diferente se o tivessem feito, quando peguei a miúda nos braços fui invadida de um amor tão grande, tão arrebatador e tão desconcertante, que nem sabia muito bem o que fazer com ele. Queria unicamente olhar para ela, enroscá-la nos meus braços, levá-la para a minha cama, cheirá-la noite e dia.
O homem da casa, deixou de ser homem, e tornou-se aos meus olhos, pai. Só pai. Estava ali para o que fosse preciso. Chega-me o lençol de banho. Liga o esterelizador. Vai comprar fraldas.
Juntos, e do meu exclusivo ponto de vista, passámos a ter como única missão na vida, adorar uma criança que de repente ocupou todo o espaço da minha cabeça e do meu coração.
Eu não tinha tempo para ele. Aliás, eu não tinha tempo para mim.
O cabelo era preso de qualquer maneira num rabo de cavalo. Todos os dias. Porque era rápido. E prático. Não exigia escovas nem secadores. A roupa era confortável. Escolhida sem empenho Saltos altos, nem pensar. Bijuterias, nem pensar. Ainda a menina me engolia algum brinco, credo. Não tinha tempo para arranjar as mãos, para fazer a depilação, para me maquilhar. Mas não era preciso, para quê lá isso de estar bonita, se tinha virado uma espécie de mulher assexuada com reserva exclusiva para a miúda?
Não me lembro quanto tempo durou isto. Sei que olho para as fotos da minha filha bebé e não reconheço aquela gorda canastrona que a segura nos braços.
Dito-Cujo foi paciente. Habituou-se a chegar à cama e ter a cama vazia, ou uma mulher a dormir, ou uma bebé no lugar dele.
Não é nada de admirar que ocorram tantos divórcios entre casais acabadinhos de ser pais. Há mulheres ainda piores que eu, que quase sentem que traem os filhos por darem atenção aos maridos.
Por isso se torna quase irónico as pessoas que decidem enfiar bebés no meio de relações frágeis. Não dá amigos, simplesmente não dá. Ou aquela merda tem alicerces decentes, ou vai tudo pelo cano abaixo.
Não sei dizer com exactidão quando a coisa se inverteu. Mas sei que é muito fácil e muito rápido degradar uma relação se cedermos aos constantes apelos do nosso coração de mãe e de hormonas egoístas.
Com os outros filhos já não foi assim. Curiosamente, apesar do trabalho e da exigência se terem tornado muito maiores, ganhei muito tempo. Aprendi a soltar-me, e a soltá-los. Sem pesos na consciência.
Hoje, conseguimos encontrar com muita frequência brechas nos espartilhos da vida familiar que preenchemos com tempo só nosso. Tenho a certeza que é este tempo, curto mas de qualidade e que passamos sozinhos, que nos ajuda a levar o barco para a frente. Claro que ajuda ter com quem os deixar. Claro que ajuda saber que estão muito bem entregues e muito bem cuidados.
Minha gente, mães de primeira viagem, nem todos os homens têm a pachorra que o meu teve. Nem todas as mulheres percebem a tempo que aquela imagem que o espelho lhes devolve já nem é delas.
Não há melhor coisa que possamos oferecer às criancinhas que uma família feliz.
quinta-feira, outubro 22, 2015
Dúvidas, tantas dúvidas
Será que Jerónimo vai continuar a usar gravata, será que Catarina vai continuar a parecer moderada, quantas palavras conhecerá Catarina com o mesmo significado, até onde irá Costa para conseguir ser primeiro-ministro, quantos deputados irão faltar à votação do orçamento, porque não aproveitou Cavaco para ficar na história, que ministério vão dar a Cristas...
quarta-feira, outubro 21, 2015
Como se não bastasse o Sócrates ter sido libertado
Como se não bastasse esta merda de ter que levar com pessoas que se fossem roupa seriam sempre roupa de andar por baixo, ainda um dia faço um post sobre as pessoas que se fossem roupa eram roupa interior, ou que dá com as gangas, como se não bastasse esta merda de me sentir completamente defraudada com o destino que deram ao meu voto, já que votando no partido que ganhou as eleições arrisco-me a não o ver formar governo (aviso já que se for para ir para a rua, estou lá, e que se esta merda acontecer não voto nos próximos dez anos e fico sentada a ver o PS a definhar até morrer), como se não bastasse confirmar que todos os dias há malta que queima a boneca, dá o tilt, perde o parafuso e uma pessoa tem que levar com eles como se fossem muito sãozinhos, como se não bastasse, ainda vou perder uma hora de luz do dia.
terça-feira, outubro 20, 2015
E então Xaxia, como está tudo?
(Deixa a tua irmã tomar banho primeiro que ainda tem que lavar o cabelo.
Eu é que chou pimeio.O pai diche que eu chou pimeio, puque eu tou cheio de fio pu causa do futebol, puque eu chogo na rua. O pai é que manda, ojomens é que mandam. Chá tou todo nu, eu é que vou pimeio. Mãããããããe! Ela chá foi pá baieira, eu é que ela pimeio, ó mããããeeeee, manda ela chail, chai chá chá daí, chenão vou entai e tomai baiô contigo.
Ó mããããããeeee, ela tá chentada na baieira, ela não despacha-che, tou cheio de fio.)
Tudo bem. À espera da autorização da Multicare.
Eu é que chou pimeio.O pai diche que eu chou pimeio, puque eu tou cheio de fio pu causa do futebol, puque eu chogo na rua. O pai é que manda, ojomens é que mandam. Chá tou todo nu, eu é que vou pimeio. Mãããããããe! Ela chá foi pá baieira, eu é que ela pimeio, ó mããããeeeee, manda ela chail, chai chá chá daí, chenão vou entai e tomai baiô contigo.
Ó mããããããeeee, ela tá chentada na baieira, ela não despacha-che, tou cheio de fio.)
Tudo bem. À espera da autorização da Multicare.
sábado, outubro 17, 2015
Mais uma semana sem me sair o euromilhões.
E cada vez me esforço mais, caraças.
Em primeiro lugar, jogo, o que parecendo que não, é importante.
Depois tenho o cuidado de fazer todas as coisas que dizem que dão sorte e dinheiro. Vejam que dei com uma aranha minúscula, quase fofinha, pendurada num fiozinho de teia ali no armário da cozinha. Primeira coisa que me passou pela cabeça, foi dar-lhe uma valente sapatada e acabar logo ali com o horrendo esforço do animalzinho, que ora subia pelo fio, ora parecia que lhe escorregavam as patitas mini mini e vinha parar cá abaixo. Se tem caído ao chão, talvez tivesse sido mais forte que eu, não sei não.
Enfim, sabendo que as aranhas são bicho que dão pilim, e estando mesmo a precisar de qualquer coisa que me salve desta vida de escravatura que é trabalhar, agarrei no fiozinho com a aranhazinha pendurada na ponta, (parecia um salvamento de helicoptero, só vos digo), e devagarinho, muito devagarinho, levei a aranhazinha até perto da janela, com a clara intenção de a devolver ao seu habitat natural, que obviamente não pode ser na minha cozinha.
Mas a aranhazinha, pequeninha, levezinha, mais o fiozinho fininho, muito fragilzinho, mal levam com uma brisa vinda do maravilhoso mundo exterior, esbardalham-se no chão.
Nunca mais vi a aranha, mas tenho a certeza que está viva e divertida, e sobretudo segura. Atentem que isto é muito importante: segura.
A fazer uma teia aí num canto qualquer da minha confortável casa.
Pois que posto isto, parece-me que já merecia pelo menos um segundo prémio, já que muito boa gente a quem já saíram prémios no euromilhões, tinha acabado com a vida da aranha sem dó nem piedade ao primeiro vislumbre.
À atenção do destino: além de poupar a vida do pobre bicho, ainda fiz questão de me referir a ele sempre de forma super-ultra-mega carinhosa. Nem tudo está perdido, ainda podes operar um milagre na terça-feira.
Em primeiro lugar, jogo, o que parecendo que não, é importante.
Depois tenho o cuidado de fazer todas as coisas que dizem que dão sorte e dinheiro. Vejam que dei com uma aranha minúscula, quase fofinha, pendurada num fiozinho de teia ali no armário da cozinha. Primeira coisa que me passou pela cabeça, foi dar-lhe uma valente sapatada e acabar logo ali com o horrendo esforço do animalzinho, que ora subia pelo fio, ora parecia que lhe escorregavam as patitas mini mini e vinha parar cá abaixo. Se tem caído ao chão, talvez tivesse sido mais forte que eu, não sei não.
Enfim, sabendo que as aranhas são bicho que dão pilim, e estando mesmo a precisar de qualquer coisa que me salve desta vida de escravatura que é trabalhar, agarrei no fiozinho com a aranhazinha pendurada na ponta, (parecia um salvamento de helicoptero, só vos digo), e devagarinho, muito devagarinho, levei a aranhazinha até perto da janela, com a clara intenção de a devolver ao seu habitat natural, que obviamente não pode ser na minha cozinha.
Mas a aranhazinha, pequeninha, levezinha, mais o fiozinho fininho, muito fragilzinho, mal levam com uma brisa vinda do maravilhoso mundo exterior, esbardalham-se no chão.
Nunca mais vi a aranha, mas tenho a certeza que está viva e divertida, e sobretudo segura. Atentem que isto é muito importante: segura.
A fazer uma teia aí num canto qualquer da minha confortável casa.
Pois que posto isto, parece-me que já merecia pelo menos um segundo prémio, já que muito boa gente a quem já saíram prémios no euromilhões, tinha acabado com a vida da aranha sem dó nem piedade ao primeiro vislumbre.
À atenção do destino: além de poupar a vida do pobre bicho, ainda fiz questão de me referir a ele sempre de forma super-ultra-mega carinhosa. Nem tudo está perdido, ainda podes operar um milagre na terça-feira.
domingo, outubro 11, 2015
Aleluia
Hoje não estava lá. Minutos antes, uma novidade que me deixou entre a felicidade e a inquietação, um burburinho no estomâgo tal que quase me impedia de ouvir. Levantava-me e sentava-me, levada pela pequena multidão que hoje acorreu e que se espraiava até à porta, os cânticos esses já os sei sem me lembrar que os sei, e fui cantando surda pelos pensamentos.
No banco da frente, uma menina que nem dois anos conta, rabiscava a verde e azul um livro de colorir. Lá ao fundo ouvia-se na boca do padre "...Evangelho segundo S. Marcos...." e a menina deixava sair em jeito de ladaínha "...luia, luia", presa que ficou na melodia, também o meu Sancho ficava sempre preso no Aleluia.
Ali, com a Palavra que não escutei ao fundo, e aquela criança tão serena com a voz baixinha "luia, luia", Deus parecia tão suave...
- Palavra da salvação
- Glória a Vós, Senhor.
No banco da frente, uma menina que nem dois anos conta, rabiscava a verde e azul um livro de colorir. Lá ao fundo ouvia-se na boca do padre "...Evangelho segundo S. Marcos...." e a menina deixava sair em jeito de ladaínha "...luia, luia", presa que ficou na melodia, também o meu Sancho ficava sempre preso no Aleluia.
Ali, com a Palavra que não escutei ao fundo, e aquela criança tão serena com a voz baixinha "luia, luia", Deus parecia tão suave...
- Palavra da salvação
- Glória a Vós, Senhor.
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