O maravilhoso header é cortesia da Palmier Encoberto. Quem mais?

sexta-feira, janeiro 31, 2014

quinta-feira, janeiro 30, 2014

Se não é amor...

Hoje li a notícia do senhor muito velhinho, que lia à mulher também muito velhinha, o diário que ela tinha escrito toda a vida, de forma a tentar contornar a sua demência e assim, mantê-la ligada ao amor que os une.
Não sei onde li, porque foi algures no facebook, sabem como é, partilha, de partilha, e perde-se a notícia original.
Mas fiquei a pensar, no tamanho do amor deste casal. Um amor tão grande que a levou a escrever um diário ao longo da vida. Um amor que ele tem tanto medo que ela esqueça que a tenta relembrar todos os dias.
E penso, se Deus me der a felicidade de ficar velhinha e taralhouca ao lado de Dito-Cujo, se ele vai arranjar maneira de me manter ligada ao nosso amor...

(Ou se me vai arranjar um bonito lar de idosos, onde me vai visitar aos domingos, a mim, que sou um ano e meio mais velha que ele...)

Mais das orações cá de casa...

"Rogai por nós, pescadores..."

quarta-feira, janeiro 29, 2014

A morte não explicada às crianças

Às primeiras perguntas respondemos para não se preocuparem com isso, que é só quando formos todos muiiiito velhinhos.
Depois, por circunstâncias da vida, porque vêem televisão, porque ouvem conversas, descobrem que não. Pode acontecer a qualquer um. Até aos mais novos, até às crianças.
É entao que lhes falamos do Céu, onde iremos estar todos juntos, alegres e felizes, tão bom que ninguém quer voltar. Juntam-se muitas perguntas sobre a viagem, se vamos a voar, se nos nascem asinhas, se um anjo vem buscar...Um dia dou com Migalha do Meio a olhar para o ar, para lado nenhum. Estava a ver se via a minha falecida avó "passar".
Até que um dia descobrem os cemitérios. E o que são. Mas e se as pessoas vão para o Céu, como é que estão ali, dentro daquelas casinhas de pedra?
E nesse momento explico que fica o corpo, para o céu só vai a alma.
E descubro que não consigo explicar-lhes o que é a alma...E que não consigo aplacar-lhes a angústia da tomada de consciência da sua finitude neste mundo, porque não consigo explicar-lhes como será no outro.
Vamos lá a saber: como se explica a crianças piquenas, o que é a alma?
Alguém?

terça-feira, janeiro 28, 2014

Adenda ao post anterior

O Mundo divide-se entre quem diz mimimi, blá blá blá, rebebéu pardais ao ninho, patati patatá, beca beca, nheca nheca, ro nhó nhó, e porque assim e porque assado.
Só não conta a parte das whiskas saquetas porque este blogue não aceita publicidade paga, e os senhores da Mars já estavam aqui à porta com cinco mil saquetas "grátes" e eu nem um gato tenho.

O mundo divide-se entre...

As pessoas que dizem mimimi, e as que dizem blá blá blá.

(Para quê inventar rubricas novas?)

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Séculos me separam da glória

Ganhar seguidores é difícil.  A malta escreve um post que é o ponto alto do blogue, uma pessoa bate records pessoais de visitas, centenas de pessoas lêem o que escrevemos, dezenas comentam...e?
Seguidores nem vê-los, apenas uma ou duas pessoas que generosamente lá se alistam nas fileiras, e mais nada.
Verdade se diga que isto de a malta ser seguidor, é mais uma simpatia que outra coisa, toma lá um seguidor, faz lá a cordialidade de pagares na mesma moeda.
Ainda me lembro do meu primeiro seguidor. Lembro-me que foi bom finalmente ter a certeza que alguém vinha aqui dar sem ser ao engano.  E saber que a Pé de Chinelo, ainda que fosse a única, dava por aqui uma vista de olhos, era um consolo.
Depois escrevia um post que achava que era muitA bom, e ficava à espera de os ver chegar, às resmas, aos magotes.
E nada.
Depois escrevia um post de caca, e pimba, dois ou três.
E portantoS, não faço ideia de como isto funciona, mas fiz umas contas por alto. A ganhar cinquenta seguidores por ano (mantendo o ritmo de abertura, que não é nada fácil), em 2219 terei tantos seguidores como a Pipoca Mais Doce.
Ah-ah, Fiquem-se com esta.

E hoje voltei a lembrar-me daquela coisa das tontinhas

E do George Clooney.

sábado, janeiro 25, 2014

Sabemos que não devemos estar a fazer um mau trabalho de todo

Quando nenhum deles diz, "cu", "mijar" ou "porrada" (voltas no estomago) e nunca se referiram a ninguém como "preto".

(Cruzes, a forma como algumas crianças falam...)

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Também tenho uma história de praxes

Prelúdio: na minha faculdade as praxes eram mesmo diveridas e mesmo a pensar na integração dos caloiros, e só ia quem queria.
Era então um belo dia de Outono, e talvez até fosse depois de um desses Rally das Tascas que se fala (atentem na letra maiúscula), porque tenho uma vaga recordação que estavam todos muito alegres e felizes, veteranos e caloiros e veteranas e caloiras. Não sei se foi antes ou depois do Tribunal do Caloiro, antes ou depois da caça ou tesouro, antes ou depois da aula de praxes, mas sei que vemos aparecer no horizonte, um grupinho de forasteiros. Que eram do MATA (movimento anti tradição académica), blá blá blá blá, humilhação, blá, blá, blá.
Pois que veteranos, não sei se organizados em comissão ou não, resolveram ver o quão depressa conseguiam correr os elementos do MATA.
Estava toda a comunidade em continuação do alegre cumprimento da tradição, quando um dos elementos do MATA volta, desta vez acompanhado das forças policiais, e queixa e blá, blá blá, blá, e direitos e blá blá blá, e agressão e blá blá blá.
Pois que perante a queixa, o agente policial tinha que intervir. Inquirir. Tomar nota dos factos.  Dar seguimento. E pois que o senhor agente foi inquirir Dito-Cujo, que estava em alegre comunhão não só com a tradição académica e com os caloiros (na época era mais caloiras, mas vá) como com Baco.
E imaginem que, no meio de toda aquela confusão, Dito-Cujo mantendo o seu ar de quem está dentro da lei, tudo o que disse foi:
- Ó xôr polícia, mas o senhor vai aceitar uma queixa de um gajo com uma t-shirt que diz "legalize cannabis"?

Se és uma das vítimas do ressonar de um homem, este post é para ti

Durante anos dormi mal. Muito mal. Deitava-me cedo, dava graças a Deus e aos santinhos por Dito-Cujo se deitar tarde, e tentava aproveitar aquelas três ou quatro horas antes de ele chegar à cama.
Parece engraçado, mas era um verdadeiro drama. Eu mudava de quarto, mas ele ressonava muito alto, e aquilo ouvia-se na casa toda, e eu concentrava-me naquele barulho, que alternava com profundas apneias, e nada feito. Eu dava-lhe pontapés, gritava "vira-te", mas depois ele virava-se e continuava a ressonar, de lado, de barriga para baixo, a fazer o pino.
Uma vez comprei um daqueles sprays que vendem na farmácia, e esperei que ele adormecesse para lhe enfiar uma grande nuvem de gás pela goela. Mas nada.
Noite após noite, mês após mês, ano após ano, eu dormia três ou quatro horas.
Vivia cansada. Muito cansada.  E furiosa. E irritada. E impaciente. Às nove e meia estava a cabecear no sofá, dez minutos depois estava na cama.
O desespero era tanto, que cheguei a pensar ir dormir uma noite para um hotel. Tipo, só uma. Sonhava (acordada, claro) chegar às urgências do hospital e pedir para me internarem (vá lá vá lá vá lá), só umas duas noites.
Quando engravidei do Sancho, decidi que tinha que existir uma solução. Já que Dito-Cujo não se decidia a perder os vinte quilos que tinha a mais, nem comia menos antes de ir para a cama, nem aceitava ir ao médico (quem estava com um problema era eu, ora essa), eu teria que rapidamente (antes de ensadecer de vez) encontrar uma solução.
A solução foi simples, barata, e com mais vantagens do que aquelas que vislumbrei logo.
Há quatro anos que durmo com tampões nos ouvidos. E é uma maravilha, porque não é só o ressonar de Dito-Cujo que se apaga. Apagam-se as Migalhas a pedir água, a dizer que tiveram um pesadelo. Apaga-se o barulho do elevador, dos aviões, dos primeiros autocarros da manhã. Apaga-se o som da televisão que Dito-Cujo está a ver.
Já sei, que se acontece alguma coisa, não oiço e tal, mas se estiver sozinha com as Migalhas em casa, não os ponho até Dito-Cujo chegar.
E digo-vos, nem imaginam a qualidade de vida que eu ganhei, por ter tomado esta decisão, que é aparentemente tão simples, mas que tantas mulheres, sobretudo mães, se recusam a adoptar com medo de não ouvir as crianças a chamar. Ah, e de não ouvir o despertador. Eu oiço.
Recomendo vivamente.

quarta-feira, janeiro 22, 2014

A melhor notícia do dia

Manuel Teixeira explicou à Lusa que hoje de manhã quando ia com os companheiros para o trabalho na Levada do Lameiro, na zona alta da Calheta (oeste da Madeira), ouviu "um choro de criança".
"Eu disse aos outros: parece que está uma criança a chorar", relatou o levadeiro, adiantando que fizeram silêncio e voltaram a ouvir o choro.
Então, exclamou: "É o pequeno!". De imediato, todos largaram as sacolas e os chapéus-de-chuva que transportavam e foram para o meio do mato procurar.
"Encontramos o pequeno no meio do mato", lembrou, mencionando que o menino estava a cerca de "30 metros abaixo da levada, no meio da feiteira e dos eucaliptos".

Lusa/SOL

E pronto, apesar de não estar grávida, também devo estar com um qualquer descontrolo hormonal.
Pois, foi exactamente isso que aconteceu. Uma lagrimazita de alegria.

Ainda vou a tempo de dizer as minhas resoluções de ano novo?

É que estava a ler a minha caixa de comentários, sobre aquilo das tontinhas, e a pensar que só decidi duas coisas, mas qual delas a mais lixada de levar avante.
Primeiro: ser mais tolerante com os outros. Basicamente, ter pachorra, não dizer o que penso, Não deixar que a minha cara de enjoo diga o que pensa. Sabem o quão dificil é isto? Sabem o quão dificil é escolher ficar caladinha quando as palavras me coçam os lábios (ainda por cima, são as palavras certas, aquelas que vão arrancar gargalhadas a todos com excepção  dos visados)? São verdadeiras batalhas aquilo que se vive dentro da minha cabeça. Por um lado, tenho a piadola, com o sarcasmo suficiente, certeira, do outro, esta maldita resolução que me diz "vá, tu podes escolher, escolhe ser boazinha". De um lado, a imbecilidade mesmo a merecer ouvir umas verdades, do outro, esta espécie de grilo falante que criei para tirar graça aos meus dias, ainda que espere com isto cair em graça, nem que seja aos meus próprios olhos.
A outra, também parece canja, aposto que para todos vocês é a coisa mais banal do mundo, mas para mim, é coisa a merecer denominação de resolução de ano novo. Até tenho medo de dizer, porque se ganhei umas palmadinhas nas costas com a coisa das bolas de Mafra, temo que desertem depois de saber que até finais de 2013, eu era uma pessoa que não separava o lixo. Escusam de vir bater, fazer a separação de lixo numa casa com cinco pessoas, em que apenas uma se preocupa, e apenas uma sabe que um lenço de papel ranhoso não é no caixote azul,  não é assim tão fácil. E ainda por cima o prédio tem uma porteira que recolhe o lixinho à porta, portanto esta decisão implica que o meu real rabo se mova até à rua, carregada de sacos de embalagens e cartão e vidro, para que possa garantir que chega em condições ao destino. Como se não bastasse, a minha cozinha parece a lixeira municipal, tal é a quantidade de sacos diferentes com lixo lá dentro.
A coisa boa destas resoluções, é que se por um acaso eu as conseguir levar além de Janeiro, têm um impacto positivo nos outros e a pegada ecológica e coiso.
Oh pá, estou a ficar tão boazinha que até me comovo.

terça-feira, janeiro 21, 2014

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Sobre aquilo da co-adopção

Façam uma sanduíche.
Usem uma daquelas bolas de Mafra, ou saloias, bem toscas e disformes, de contornos irregulares. Depois tentem enfiar a fatia do fiambre, ou do queijo, daquelas que já se vendem embaladas. 
Vão descobrir que para que não fique metade do fiambre, ou do queijo de fora, precisam de dobrar para dentro, cortar e enfiar lá para o meio, whatever. Mas vão fazer uma sanduíche.
Agora agarrem num pão de forma daqueles da Bimbo ou da Panrico, que vem sabiamente cortado em fatias quadradas. Coloquem uma fatia de fiambre quadrada, fabricada de propósito a pensar naquele pão. E uma fatia de queijo quadrada, fabricada de propósito a pensar naquele pão.
Façam a vossa sanduíche, onde não sobra nem falta um centimetro de nada. Depois, escolham um daqueles sacos especiais para sandes, e descobrem que a medida do saco, é feita a pensar naquele pão, naquele fiambre e naquele queijo, e conseguem enfiar lá dentro a sanduíche, de uma forma aparentemente perfeita. 
Aquele pão quadrado, é tão importante, que o seu formato condiciona  o formato do fiambre, do queijo, e do saco, ainda que nem seja bem pão e que a sanduíche seja uma merda.
Conclusão: nem tudo o que é óbvio, confortável e dentro do formato, é melhor.
As tarefas domésticas (fazer lanche da escola, por exemplo), são uma inspiração.

domingo, janeiro 19, 2014

Aniversário

Migalha Crescida faz hoje oito anos.
Já todos devem ter reparado que não falo muito da minha filha crescida, não tanto como falo dos outros. Talvez porque já não tenha a graça do Sancho com os seus três anos, ou talvez porque não seja um pote de mel, como a Migalha do Meio.
Uma vez, estava numa reunião da escola com todos os pais, e a educadora pediu  para dizermos duas ou três características dos filhos. E lembro-me, que como fui a segunda mãe a falar, não consegui lembrar-me com suficiente rapidez de qualidades da minha filha (que os defeitos ninguém os disse). Só me conseguia vir à cabeça que a minha filha era bonita (sem mérito próprio), vaidosa e um bocadinho egoísta.
Migalha não é aquela criança meiga e fofinha. Migalha arma trombas quando tem que falar a pessoas que não conhece, não faz fretes, faz sorrisos amarelos, tem um sarcasmo bastante apurado para a idade. Não gosta lá muito de partilhar, e a sensibilidade, apesar de presente, não está propriamente à flor da pele. Dá respostas super tortas, e não se inibe de dizer coisas que acabam por magoar os outros. Digamos que ainda não aprendeu a controlar a frontalidade.
Por outro lado, é justa, leal, extremamente popular entre as amigas, responsável, super inteligente, e com um sentido de humor bastante refinado. Boa aluna, bem comportada,  reconhecida entre os pares. Dos meus três filhos, esta Migalha é a que é mais parecida comigo. Especialmente quando eu era criança.
Por isso, o desafio que sinto com ela é muito maior. Educar esta filha, não é mandá-la falar baixo, nem comer de boca fechada, nem lembrar que não se responde aos adultos.
Educar esta filha, é o desafio constante de educar para que seja uma boa pessoa. Preocupada com os outros, atenta às necessidades, a quem é mais desfavorecido, nem que seja desfavorecido em inteligência. Educar esta filha, é valorizar as qualidades que tem e o que faz bem, porque funciona muito por estímulo positivo, mas também lembrá-la que ser bom é muito mais do que simplesmente não ser mau.
Choco de frente com ela tantas e tantas vezes, porque quero mesmo que seja uma boa menina, ainda que não seja melosa (nem acho que tenha que ser).
Eu sei que vai sair dali uma mulher como deve ser. A rispidez vai ser de certeza compensada pela inteligência, que lhe vai permitir desenvolver-se como pessoa, ainda que não lhe saia mel por todos os poros.
O desafio é essencialmente para mim. Que lhe adivinho os pensamentos e os passos.
Parabéns meu amor, estamos juntas!


sábado, janeiro 18, 2014

Sancho diz olá à blogosfera

De hoje em diante, e depois desta troca de comentários em blogue alheio, passa Migalha Pequeno, antes Migalha Bebé, a ser tratado aqui no belóguio, como Sancho.
E o Sancho, que falava pouco e mal, e que evoluiu nos últimos dois meses para falar muito e mal, usa o seguinte léxico, capaz de envergonhar a mãe mais descontraída.

"Meda"- moeda
"Quecas"- cuecas
"Fudido"- fundido (esta é um clássico)
"Pixa"- polícia

Sabes que estás a ficar velha...

Quando te lembras perfeitamente  de uma coisa que aconteceu há trinta anos.

sexta-feira, janeiro 17, 2014

Assunto super interessante que de certeza vos vai deixar a matutar

Só para dizer, que não percebo nada de símbolos de internetês, mas que se é suposto no :) os dois pontos serem os olhos, a mim só me lembram as narinas. E que se para deitar a língua de fora (ca maturidade) se usa o :p porque a perninha do p é suposto ser a língua que cai da cara, então era mais normal ser Q. Pelo menos algum respeito pelas proporções.

quinta-feira, janeiro 16, 2014

Mais olhos que barriga

Hoje jantámos sushi. Quer dizer, jantámos aquelas bolas de arroz gigante com um pedaço de peixe que se vendem naqueles restaurantes japoneses de proprietários chineses.
Não é o melhor sushi do mundo, não. Mas a outra opção era fazer o jantar, por isso à ideia de Dito-Cujo disse logo sim com sincero entusiasmo.
Dito-Cujo foi buscar o sushi. Ao buffet. Sabem como é, dão três caixinhas e enchemos com a quantidade que queremos.
Sabem do que me lembrei quando abri as caixas de tampa abaulada? Aquele jogo ou concurso ou que raio era, que ganhava a equipa que mais pessoas enfiasse num Mini. Lembram-se?

quarta-feira, janeiro 15, 2014

O meu bairro é melhor que o teu II

Uma pessoa diz que vive no melhor bairro do mundo.
Sabiamente,  não revela qual é, não vá ser para aí invadido por curiosos e seguidores fanáticos.
Quem se julga esta gente para vender assim o meu bairro de forma despudorada nas páginas do blogue, hein?

Estou orgulhosa, pá

Parece-me bem que sou a única pessoa de Lisboa que sabe circular nas rotundas.

terça-feira, janeiro 14, 2014

Suícidio e bullying e essas merdas que me revolvem as entranhas

Aquela cena do puto que se suicidou, supostamente por ser vítima de bullying, fez-me pensar um bocado durante o dia de hoje.
Lembrei-me da primeira morte que me chocou na vida, precisamente um colega do liceu com dezasseis anos, que se suicidou. Quer dizer, já tinham existido os dois colegas da escola primária que tinham morrido atropelados no espaço de uma semana, mas sabe-se lá porquê, este, por se ter suicidado, chocou-me muito mais.
Quem sou eu para falar de suicídio ou de adolescentes, a minha experiência é apenas com os segundos, e apenas por ter sido uma. E eu fui uma adolescente com toda a carga melodramática que a idade exige. E tive momentos péssimos, de tristeza profunda, de grandes dúvidas existenciais, de desgosto com os outros e o mundo, e se jamais pensei em suicidar-me, foi porque sempre tive uma enorme cagufa de morrer.
Depois pensei nessa merda do bullying. Lembrei-me que hoje de manhã, a mãe de um colega de Migalha Crescida dizia que o M. não queria ir à escola porque os do terceiro ano lhe batiam. E lembrei-me que lá na escola (primária, os mais velhos têm quê, dez anos?) há um jogo que lança o pânico entre pais e que se chama o "três contra um". Basicamente consiste em três baterem num.
Calha que a escola de Migalha fica num dos melhores bairros de Lisboa. Calha que nestes casos, coloco-me na pele dos pais do agredido, mas coloco-me também no papel dos pais do agressor. E imagino, o que será ser pai de um fedelho que aos oito ou nove anos agride colegas só para armar aos cucos ao pé dos outros. Quanda calha pensar nos pais dos agredidos, é um fazia e acontecia, e queixas, e estalos na cara dos putos e essas coisas que pensamos quando o instinto parental nos invade. Mas quando penso em estar na pele de mãe de uma criança agressora, só penso no enorme, enorme desgosto que eu teria se andasse a criar umas bestas de metro e trinta.
E não sei qual será pior.

Um punhado de sal é claramente insuficiente

Especialmente se tivermos em conta que Dito-Cujo se esfrangalhou todo no ginásio e está de muletas.

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Não vá o diabo tecê-las

No Sábado de manhã uma cigana quis ler-me a sina. Eu recusei, expliquei que não tinha dinheiro, mas ainda assim mandou-me tirar os óculos escuros e começou a falar muito depressa.
Que era uma vidente, que ajudava muita gente, para eu não dizer a ninguém, que via que eu era pessoa muito invejada, com sucesso profissional,que ia ser muito feliz ao lado do homem que amo e dos meus filhos, mas que há muita inveja, e uma colega que morre de inveja, e uma cunhada que morre de inveja, e disse uma oração, e mandou-me chegar a casa e atirar um punhado de sal para a retrete, dizendo os nomes de cada um de nós.
Pois que passei todo o sábado a gozar com a sina e com a cigana, e a contar a toda a gente.
Pois que no domingo de manhã, enquanto nos despachávamos para chegar a horas à missa, o quadro eléctrico disparou uma vez, depois outra, e depois começou a cheirar a queimado na zona da máquina da roupa, e depois começou a sair fumo da tomada e da ficha da máquina, que literalmente derreteu. A roupa, incluindo os bibes da escola, lá fechados dentro.
Quando estava a dar a sopa do almoço ao Migalha Pequeno, pois que me desatou a vomitar a sopa, e não escapou nem uma peça de roupa, incluindo o tapete do chão da cozinha. O que mais se deseja quando se tem a máquina avariada do que um monte de roupa vomitada? Passada meia hora, Migalha Crescida em luta com os trabalhos de matemática, juntou às dores de garganta de que se estava a queixar desde as sete da manhã (sim, sete, leram bem), trinta e oito e meio de febre.
Hoje, refém da febre de Migalha, saí apenas para ir comprar o antibiótico, depois de lhe ter descoberto uma montanha de pontos brancos na garganta, tempo suficiente para numa marcha atrás partir o farol e deixar umas amolgadelas num carro que não vi.
E pelo sim pelo não, cheguei a casa, lembrei-me da cigana que até foi simpática quando no fim daquilo tudo percebeu que eu não tinha mesmo dinheiro, e deitei um punhado de sal pela retrete abaixo, repetido baixinho o nome de todos cá em casa.

sábado, janeiro 11, 2014

Sobre aquilo dos videos com as moças da Casa dos Segredos

O Canuco tem um fétiche por loiras de formas...generosas.

Prémio pote de mel

   Migalha do Meio.
- Pai, se tu morreres temos de tratar dos peixinhos?
- Filha, se o pai morrer, tens de tratar da mãe e dos manos, ajudar...
- Mas se tu morreres eu também quero ir contigo.
- Não filha, porquê?
- Porque senão, quem é que me aquece?

Digo-vos uma coisa, esta filha diz as coisas mais meigas, mais carinhosas, mais deliciosas. É um verdadeiro pote de mel. Tão genuinamente boa, pá. Só espero que a vida permita que se conserve sempre assim, porque a massa de que é feita é do melhor que já vi.

sexta-feira, janeiro 10, 2014

Não há catequese que me valha

Depois do Cordeiro de Deus que tira "um bocado do mundo", temos agora  Jesus Cristo que "padeceu e foi suportado".


Estou a ver a CMTV

E estou fartinha de rir com um gajo que está a fazer comentários a vestidos da gala da Casa dos Segredos (qual Globos de Ouro, qual Óscares) num programa que acho (acho) que se chama Flash Vidas.
A matéria prima também é muito boa, diga-se de passagem.

Agora escolha

A vida é feita de escolhas. De escolhas grandes, que nos podem mudar a vida, o nosso futuro e o de quem está perto de nós,  e das mais pequenas, insignificantes, que roupa vestir, o que fazer para o jantar.
De todas as escolhas nascem consequências, que tentamos sempre prever no momento de decidir. Escolhemos usar um par de collants debaixo das calças e andamos todo o dia com o síndroma do chouriço, decidimos fazer peixe cozido para o jantar e sabemos que vamos ter uma refeição parecida com a batalha de Aljubarrota.
Nem sempre são fáceis as escolhas. Algumas exigem tempo, reflexão, conselhos.
Hoje estou em casa, não vou trabalhar. E tenho que fazer uma escolha. E é uma escolha difícil. Porque se decidir por um caminho, ganho descanso e conforto. Se decidir pelo outro, ganho espaço e a normalidade devida.
O que faço? Fico no sofá com uma manta de pelo cheia de ovelhinhas, ou vou (finalmente) desmanchar a árvore de Natal e guardar as decorações?
Aguardo os vossos votos.


quinta-feira, janeiro 09, 2014

Agora sim, facto marcante de 2013

Queria muito deixar aqui registo de algo que me tivesse marcado em 2013. Nao queria ser a única blogger do universo a não ter um facto marcante do ano que findou. 2013 foi o ano em que encontrei Jesus. Literalmente.
Ora passo a explicar. A vizinha do primeiro andar, é uma senhora que sempre que me vê com Migalhas, nos conta a história de S. Francisco de Assis e de Santa Clara. É a primeira a comungar na missa das 11h00 de Domingo, diz sempre "Graças a Deus", "se Deus quiser" e "com a Graça de Deus". É portanto, uma católica fervorosa.
Mas é também uma senhora com um problema qualquer, que não faço ideia qual seja, mas que lhe causa ali curto circuitos vários ao nível do comportamento. Ou em bom português, falta-lhe um parafuso, não joga com o baralho todo.
Pois que no outro dia a vizinha zangou-se. E zangou-se a sério, e não foi com a porteira, nem com o casal da porta ao lado, nem com as senhoras da centro social que a vêm ajudar com o almoço. Zangou-se a sério com Deus. E no meio de gritos, não viu outra forma de mostrar a Deus que estava mesmo fula com Ele, que não fosse atirar-Lhe com o Filho pela janela.
E foi assim que encontrei Jesus. Caído no passeio, depois de um voo a pique do primeiro andar, atirado em fúria pela vizinha. Digo-vos que foi algo perturbador, porque não só me senti compelida a agarrar na estatueta com uns trinta centímetros para a salvar, como verifiquei, que depois de uma queda daquelas, toda a imagem estava intacta, com excepção apenas de uma pequena rachadela na nuca que quase não se nota.
E assim foi, trouxe Jesus para casa, e achei que se há sinais na vida, este era um deles, e talvez daí, e agora fora de brincadeiras, o ano de 2013 foi o ano em que me reaproximei de Deus e da Igreja e que iniciei a catequese com Migalhas.

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Dia de Reis

O Dia de Reis é dia de nostalgia. Do Natal que já passou, das festas que agora se encerram. Desfazem-se as decorações, calam-se os hinos e os coros, recolhe-se o Menino,  seus pais, e os pastores e os Reis. As estrelas, os flocos de neve e as coroas com azevinho, entram nas caixas. Apagam-se as velas, silenciam-se as caixas de música com meninas que patinam no gelo em circulos.
Amanhã, as iluminações da rua já vão estar apagadas, o bolo rei será comido durante um dia ou dois, os centros comerciais tentam vender as meias com as renas e o pai natal nos saldos, e já mais nada restará, a não ser as fotografias, os vestidos de xadrez e os laçarotes vermelhos, os presentes que ainda são novos mais uns dias e as memórias de uns dias felizes.
Bem...Em calhando, ainda não é hoje que apago as luzes.


domingo, janeiro 05, 2014

E finalmente posso desejar-vos um bom ano

Finalmente em casa!
Ontem, recolhemos finalmente ao nosso lar. Cheios de malas, e sacos e saquinhos (fã dos sacos azuis do IKEA todo o ano, mas no Natal...super fã). Com Migalhas, claro.
Os períodos de férias de Migalhas são sempre muito cansativos para mim. Migalhas ficam na casa de campo da avó, fora de Lisboa, mas nós vimos todos os dias trabalhar. Sempre foi assim. Quando era Migalha Mais Crescida pequenina, porque morria de saudades e preferia fazer aqueles quilómetros do que estar sem ela, hoje, mais porque são três, e juntam-se aos primos, e se não fosse até lá dar uma ajuda ao fim do dia, corria o risco de sogra perder o resto da sanidade mental.
Por isso espero ter agora mais tempo para poder gozar da vossa companhia, eu que apenas a cinco de Janeiro venho desejar um bom ano a quem tem a amabilidade de passar por aqui de quando em vez.
Talvez arranje tempo para fazer um balanço de 2013 e até dizer o que quero muito para 2014.
Posso ir desde já adiantando que sei que o Schumacher teve um acidente a esquiar,  sei que o Eusébio morreu, que o IVA parece que não vai aumentar, que tenho que decidir aquela coisa dos duodécimos na próxima semana, que o temporal da madrugada de Sábado foi de meter medo (sei por interposta pessoa, porque eu durmo de tampões nos ouvidos, e podem cair trovões no telhado que não dou por nada).
Neste blogue não se esperam mudanças, e as óbvias (como tirar aquela coroa de Natal super pirosa do header) podem não acontecer no timing suposto (amanhã já é Dia de Reis, Jasus, como o tempo passa).
Tenham um bom, maravilhoso, excelente e memorável ano de 2014.
Já sei que dinheiro ajuda, mas há lá alguma coisa que chegue à saúdinha?