O maravilhoso header é cortesia da Palmier Encoberto. Quem mais?

segunda-feira, junho 09, 2014

E se alguém perder um bocadinho do seu tempo a fazer algo para nós?

Obrigada Pipoca Arrumadinha (que sabe melhor que ninguém, que isto dos blogues é só mesmo para nos divertirmos)

«Um blog muito engraçado»

Já dizia sem querer,
No seu blog bonitinho,
Que pasme-se quem puder,
Tudo vai sair certinho.
Diz que tem a mania,
De que é mais do que uma mãe,
Uma coisa ninguém lhe tira,
A alegria que ela tem.
Neste seu blog plantado,
Comentários sem moderação,
Onde tudo é começado,
Sempre com base em razão.
Todos lá são bem-vindos,
Mas convém não abusar,
É um blog muito engraçado,
Passem lá que vão gostar


quarta-feira, junho 04, 2014

Facto

Para seguir as caixas de comentários fico sem tempo para ler posts...

No meio desta confusão dá para pensar em tudo

Quando era miúda, lembro-me que se contavam anedotas "de judeus".
Eram anedotas como as outras, ora o menino Joãozinho, ora alguém dizia "Otto traz a motosserra", todos ríamos, grande paródia as anedotas de judeus.
Ou as anedotas do Samora Machel, que não passavam de piadas racistas, no entanto eram contadas sem qualquer pudor, por pessoas de qualquer idade.
Há cerca de vinte anos, quando entrei para a faculdade, estavam na moda as anedotas machistas. Ah e tal, "como dás mais liberdade a uma mulher, aumentas-lhe o espaço da cozinha", "quantos neurónios tem uma mulher, quatro, um para cada bico do fogão", ou a pior, "o que dizes a uma mulher com os dois olhos negros, já te avisei duas vezes".
Eu, que até acho que se pode fazer humor sobre (quase) tudo, lembro-me de chorar baba e ranho sentada na beira da cama, atrasada para sair para as aulas, a ler Mila 18, ou o Diário de Anne Frank, e nessa altura, não teria mais que quinze anos,  pensava como é que uma tragédia como a que foi o Holocausto, pode inspirar alguém a fazer algum tipo de graça.
Hoje não sei sobre que se graceja, na verdade, há muito tempo que não oiço anedotas.
Mas acredito que houve uma enorme evolução nas mentalidades, ou tomada de consciência colectiva, ou vergonha, ou medo, e que mesmo que alguém se lembre de fazer uma piada sobre "judeus e nazis", ou sobre "pretos", ou sobre violência doméstica, vai pensar duas vezes antes de o fazer em público, ainda que o público seja um grupo restrito na esplanada do café.
As coisas mudam, os tempos mudam, as vontades mudam, e fico feliz, muito feliz, quando oiço Migalha do Meio a falar-me "daquelas pessoas assim mais castanhas", para se referir a alguém que há trinta, ou mesmo vinte anos,  não passaria de um preto na boca de qualquer criança.

terça-feira, junho 03, 2014

Vá, agora trinta segundos de Estudo do Meio para descomprimir

Véspera de teste, lembrando-me que a vaca é carnívora e que os cangurus comem algas, resolvi fazer-lhe algumas perguntas:
- Migalha, dá exemplo de uma planta aquática.
- Alforreca!
(mencionadas no manual escolar: arroz, nenúfar)

Diz que isto hoje vai lá com animais fofinhos

Só me consigo lembrar deste.

segunda-feira, junho 02, 2014

Eu só me importo com as pessoas que me importam


As mesmas pessoas que se ofendem quando alguém que não as conhece de lado nenhum lhes chama parvas, são as mesmas pessoas que se ofendem com o trolha que lhes grita um piropo, as mesmas que afinam com a colega do emprego que insinua na máquina do café que sobem na horizontal, eventualmente serão as mesmas que se depilam não porque não ter pelos as faz sentir melhor, mas porque a sociedade assim o exige.
As pessoas que se importam, serão sempre pessoas que se importam, mesmo com quem não lhes importa para nada.

(não é nenhuma crítica, o dia foi longo. é só uma constatação.)

domingo, junho 01, 2014

E não sei porquê- ou talvez saiba- mas hoje só me consigo lembrar disto

A alegria que reinava em casa dos meus avós, dependia quase exclusivamente do humor com que o meu avô estava.
Quando entrava a porta para almoçar, sustinhamos a respiração e esperávamos. Se começasse a falar, estava a ter um bom dia, se entrasse mudo e nos desse o nosso beijo sem que nos dirigisse qualquer palavra, era certo que estava com a telha, o melhor a fazer era comermos calados e sossegados.
A minha avó fazia-nos sinais. Abria-nos os olhos. Juntando os silêncios do meu avô, aos olhares da minha avó, já sabíamos com o que contar.
O meu avô nunca nos bateu. Nem uma só vez. Nem um só açoite. Tal como não batera aos filhos, muito menos à mulher.  Não havia razões para temer alguma coisa, no entanto era temor que sentíamos.
Hoje sei que aquela espécie de medo que pairava nos dias de mau humor do meu avô (e se eram muitos), nos era incutido pela minha avó.
A minha avó vivia para servir o marido,  para garantir que nada o perturbava ou arreliava, que a comida estava na mesa à hora certa, nem muito quente, nem fria. Que o café aterrava na frente dele, mal engolisse o último pedaço de fruta. Que quando chegasse à porta, já ela lá estaria com o casaco nos braços, para o ajudar e para o ver partir de novo para o trabalho.
Todos nós achávamos que a minha avó era infeliz. Que só podia ser infeliz.
Quando o meu avô adoeceu e se tornou dependente de cuidados que exigiam algum esforço físico e noites mal dormidas, os filhos (incluindo a minha mãe), acharam que estava na hora de salvar a mãe daquele jugo de uma vida. De lhe dar a liberdade que (eles julgavam) ela merecia. Caramba, ainda era nova, ainda podia aproveitar.
O meu avô foi internado num lar. 
E a minha avó, ao invés de passar as tardes no café a bebericar chá, ou de ir dar uns passeios com umas amigas, em vez de aproveitar aquela liberdade que lhe caía do céu, resolveu inscrever-se em regime externo no mesmo lar onde estava o marido, e continuou a passar os dias com ele, a dar-lhe o almoço, a ajudar em todos os cuidados.
Até aí, não tínhamos entendido, nenhum de nós tinha,  que o que fazia a minha avó sentir-se realizada, era aquela articulação harmoniosa e quase perfeita de todas as tarefas que tinha a seu cargo.  Não chegávamos atrasados à escola, nas mochilas ia o lanche para o intervalo da manhã, a roupa engomada estava nos armários, a casa estava limpa, impecável, o almoço  aterrava na frente do meu avô às13h40m, impreterivelmente. 
A realização da minha avó, não estava em usar calças (literalmente), estava em que nada falhasse.
Mas nós- eu, a minha mãe- estávamos demasiado cheias do "havia de ser comigo", do "Deus me livre de algum dia ser criada de um homem", demasiado convencidas que sabíamos o que era melhor para qualquer mulher, que "aquilo já não se usava", do "deixar de ser parva".
O meu avô teve um AVC pouco tempo depois e morreu.
A minha avó nunca perdoou os filhos. 
Eu aprendi uma lição, das grandes.
Que ninguém é dono da verdade. E que não há receitas universais de felicidade. Ou de infelicidade.

Porque é disto que se trata

E não de festas com balões, pinturas faciais e insufláveis. Não são os presentes, caros ou baratos, nem gelados e gomas sem restrição. Hoje é dia de relembrar que milhões de crianças em todo o mundo não têm o mais básico assegurado.
Declaração Universal dos Direitos da Criança

Princípio I - À igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade. A criança desfrutará de todos os direitos enunciados nesta Declaração. Estes direitos serão outorgados a todas as crianças, sem qualquer excepção, distinção ou discriminação por motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de outra natureza, nacionalidade ou origem social, posição económica, nascimento ou outra condição, seja inerente à própria criança ou à sua família.
Princípio II - Direito a especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e social. A criança gozará de protecção especial e disporá de oportunidade e serviços a serem estabelecidos em lei e por outros meios, de modo que possa desenvolver-se física, mental, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade. Ao promulgar leis com este fim, a consideração fundamental a que se atenderá será o interesse superior da criança.
Princípio III - Direito a um nome e a uma nacionalidade. A criança tem direito, desde o seu nascimento, a um nome e a uma nacionalidade.
Princípio IV - Direito à alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e a mãe. A criança deve gozar dos benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e desenvolver-se em boa saúde; para essa finalidade deverão ser proporcionados, tanto a ela, quanto à sua mãe, cuidados especiais, incluindo-se a alimentação pré e pós-natal. A criança terá direito a desfrutar de alimentação, moradia, lazer e serviços médicos adequados.
Princípio V - Direito à educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente. A criança física ou mentalmente deficiente ou aquela que sofre de algum impedimento social deve receber o tratamento, a educação e os cuidados especiais que requeira o seu caso particular.
Princípio VI - Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade. A criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade; sempre que possível, deverá crescer com o amparo e sob a responsabilidade de seus pais, mas, em qualquer caso, em um ambiente de afecto e segurança moral e material; salvo circunstâncias excepcionais, não se deverá separar a criança de tenra idade de sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas terão a obrigação de cuidar especialmente do menor abandonado ou daqueles que careçam de meios adequados de subsistência. Convém que se concedam subsídios governamentais, ou de outra espécie, para a manutenção dos filhos de famílias numerosas.
Princípio VII - Direito á educação gratuita e ao lazer infantil. O interesse superior da criança deverá ser o interesse director daqueles que têm a responsabilidade por sua educação e orientação; tal responsabilidade incumbe, em primeira instância, a seus pais. A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito. A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares. Dar-se-á à criança uma educação que favoreça sua cultura geral e lhe permita - em condições de igualdade de oportunidades - desenvolver suas aptidões e sua individualidade, seu senso de responsabilidade social e moral. Chegando a ser um membro útil à sociedade.
Princípio VIII - Direito a ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes. A criança deve - em todas as circunstâncias - figurar entre os primeiros a receber protecção e auxílio.
Princípio IX - Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho. A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e exploração. Não será objecto de nenhum tipo de tráfico. Não se deverá permitir que a criança trabalhe antes de uma idade mínima adequada;
em caso algum será permitido que a criança dedique-se, ou a ela se imponha, qualquer ocupação ou emprego que possa prejudicar sua saúde ou sua educação, ou impedir seu desenvolvimento físico, mental ou moral.
Princípio X- Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos. A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa, ou de qualquer outra índole. Deve ser educada dentro de um espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universais e com plena consciência de que deve consagrar suas energias e aptidões ao serviço de seus semelhantes.